Projeto CREEC no VII Congresso Internacional de Riscos

A Associação Portuguesa de Educação Ambiental (ASPEA) marcou presença no VII Congresso Internacional de Riscos, que decorreu de 26 a 29 de maio de 2026 na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, sob o tema “Recursos Naturais, Energia e Sociedade: riscos globais e caminhos para a sustentabilidade”.
A participação concretizou-se através de uma comunicação oral pelo presidente da ASPEA Joaquim Ramos Pinto, dedicada ao projeto CREEC (Community Responses to Extreme Environmental Events and Climate Change), integrada no painel G3 — Grupo de Investigação em Educação para os Riscos (GIER).
As alterações climáticas manifestam-se de forma cada vez mais frequente e visível — através de inundações, incêndios, ondas de calor, episódios de frio intenso e secas prolongadas —, com impactos que ultrapassam a esfera ambiental e afetam a segurança, a economia, a soberania alimentar, a saúde e o bem-estar das populações. Segundo a Agência Europeia do Ambiente, estes fenómenos já causaram perdas económicas superiores a 400 mil milhões de euros na União Europeia desde 1980. É neste cenário que a escola assume um papel determinante: na última década, os eventos climáticos extremos aumentaram cerca de 40% na Europa, uma em cada três escolas europeias não dispõe de um plano de emergência para estes fenómenos e 72% dos professores reportam falta de formação em literacia de risco climático.
É a esta lacuna que o CREEC procura responder. Trata-se de uma parceria transnacional cofinanciada pelo programa Erasmus+ (KA220‑SCH, 2025–2027), que reúne instituições de Portugal, Espanha e Grécia — duas organizações não governamentais, uma universidade, uma empresa social e três escolas. O projeto tem como principal objetivo capacitar escolas, docentes e alunos, dotando-os de conhecimentos e ferramentas para enfrentar eventos climáticos extremos e integrar estratégias de adaptação no quotidiano escolar, em sintonia com a Nova Estratégia da UE para a Adaptação às Alterações Climáticas, que sublinha o papel essencial da Educação na construção de comunidades resilientes.
A abordagem do CREEC é simultaneamente participativa, digital e transnacional, e desenvolve-se em quatro etapas articuladas. Começa pelo diagnóstico, com questionários à comunidade escolar que permitem identificar vulnerabilidades e mapear os riscos climáticos locais. Segue-se a formação, assente em materiais pedagógicos digitais e em ações online e presenciais para professores e alunos. Numa terceira fase, constituem-se grupos de trabalho em cada escola, responsáveis por desenvolver planos de emergência adaptados ao contexto local e por testá-los através de simulacros. Por fim, as mobilidades internacionais, um festival de Arte e Ambiente e um sistema de monitorização contínua dão corpo à dimensão de cooperação e de partilha entre os parceiros.
Dos resultados esperados destacam-se a implementação e o teste, em contexto real, de planos de emergência climática nas escolas parceiras, a produção de recursos educativos e de campanhas de sensibilização lideradas pelos próprios alunos, e a criação de uma rede transnacional de escolas com registo de boas práticas e publicações dirigidas a decisores. Prevê-se que mais de 300 beneficiários diretos — professores e alunos — venham a reforçar a sua literacia de risco climático, contribuindo para uma cultura duradoura de prevenção e segurança que se estende da sala de aula às políticas públicas.
Como sublinhou Joaquim Ramos Pinto, educar para o risco não é uma opção, mas uma necessidade urgente. O CREEC demonstra que as escolas podem ser verdadeiros agentes de mudança, formando gerações mais resilientes e mais bem preparadas para os desafios climáticos emergentes.












