Agenda21 Escolar

Educação Ambiental, Agenda21 e Desenvolvimento Sustentável

 


O QUE É AGENDA 21


A Agenda 21 é um protocolo contendo uma lista de compromissos e acções a serem desenvolvidas no século XXI em direcção ao Desenvolvimento Sustentável. Foi assinada por mais de uma centena de países, incluindo Portugal, durante a Conferência de Cúpula da Organização das Nações Unidas(ONU), ocorrida na cidade do Rio de Janeiro, no ano de 1992 - a Rio 92.
A Agenda 21 é caminho a ser seguido para a construção do Desenvolvimento Sustentável e significa um dos mais importantes compromissos assumidos pelo mundo, desde a Rio-92, na tentativa de restabelecer a economia e assegurar a sobrevivência humana, preservando a saúde e os recursos naturais do planeta para as presentes e futuras gerações.
Porém, é importante ressaltar que, esta trajectória só poderá ser concretizada com a participação efectiva de toda a sociedade organizada juntamente com o governo.
Não existe um modelo universal de Desenvolvimento Sustentável, que possa ser aplicado para todas as sociedades, pois possuímos infinitas diferenças culturais e potenciais, nativas de cada região .
Assim, cada comunidade deverá definir o seu estilo próprio de Desenvolvimento Sustentável. É o direito do cidadão de escolher o seu amanhã. As comunidades deverão dizer aquilo que querem e o que não querem no planejamento de seu futuro
Para entendermos o que é Agenda 21 precisamos falar de suas principais dimensões, que são cinco:
1. É o principal documento da Rio-92 (Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Humano), que foi a mais importante conferência organizada pela ONU (Organização das Nações Unidas) em todos os tempos. Ela tem esse nome porque se refere às preocupações com o nosso futuro, agora, a partir do século XXI. Este documento foi assinado por 170 países, inclusive o Brasil, anfitrião da conferência.
2. É a proposta mais consistente que existe de como alcançar o desenvolvimento sustentável (1), isto é, de como podemos continuar desenvolvendo nossos países e nossas comunidades sem destruir o meio ambiente e com maior justiça social.
3. É um planeamento do futuro com acções de curto, médio e longo prazo, em outras palavras, reintroduz uma ideia esquecida de que podemos e devemos planejar e estabelecer um elo de solidariedade entre nós e nossos descendentes, as futuras gerações.
4. Trata-se de um roteiro de acções concretas, com metas, recursos e responsabilidades definidas.
5. Deve ser um plano obtido através de consenso, ou seja, com todos os actores e grupos sociais opinando e se comprometendo com ele. Em resumo, a Agenda 21 estabelece uma verdadeira parceria entre governos e sociedades. É um programa estratégico, universal, para alcançarmos o desenvolvimento sustentável no século XXI.
A Agenda 21 serve de guia para as acções do governo e de todas as comunidades que procuram desenvolvimento sem com isso destruir o meio ambiente. Da mesma forma que os países se reuniram e fizeram a Agenda 21, as cidades, os bairros, os clubes, as escolas também podem fazer a sua própria Agenda21.
Portanto, com a implantação das Agendas 21 podemos garantir um Ambiente equilibrado para as futuras gerações, cumprindo assim, nosso dever mencionado na Constituição.
Se quiser montar uma Agenda 21 na sua comunidade educativa, fale connosco.
Fonte: 21 Perguntas e Respostas para você saber mais sobre a Agenda 21 Local (Comissão Pró Agenda 21 - Rio)
(1) Forma pela qual podemos continuar desenvolvendo nossos países e comunidades sem destruir o meio ambiente e com maior justiça social:
"O Desenvolvimento Sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades."
(Gro Brundtland, presidente da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento - Relatório Nosso Futuro Comum)
"Desenvolvimento Sustentável significa usarmos nossa ilimitada capacidade de pensar em vez de nosso limitados recursos naturais" (Juha Sipila, Finlandia)
"Sustentável é o que leva nossa floresta em direcção das florestas primitivas que podemos observar no entorno, aumentando os stocks de carbono e a área de expansão dos processos biológicos e da biodiversidade." (André Vieira Ramos de Assis, Brasil)
E para si?
O que é desenvolvimento sustentável?
A sua definição também pode fazer parte desta página.
Escreva aqui

Contexto histórico e metodológico da Educação Ambiental

A problemática ambiental, segundo Rosa Pujol (2003), nasce com a própria existência da sociedade e constitui um índice que permite valorizar a relação que cada sociedade estabelece com a natureza.
No século XX, o acelerado avanço tecnológico e as necessidades que a humanidade criou romperam com o equilíbrio existente entre esta e o meio natural, afectando profundamente a dinâmica dos sistemas ecológicos.
A actual crise ecológica que o mundo atravessa, está estreitamente ligada ao modelo de desenvolvimento que a sociedade capitalista desenvolveu neste século. Este factor conduziu ao aparecimento de problemas ambientais locais, inclusive nos próprios países que o sustentam; problemáticas que atravessam fronteiras e se impõem globalmente, em todo o planeta; gerou, assim mesmo, uma elevada pobreza que se toma como causa principal da crise ecológica do mundo de hoje.
Ao longo de todo este século, a consciência de uma problemática ambiental foi aumentando progressivamente. A partir das bases sociais, passou-se de uma abordagem conservacionista a uma outra mais ambientalista, desenvolvendo-se plenamente, na década de 90, uma nova visão ecologista. Nesta última, natureza e sociedade constituem dois subsistemas intimamente relacionados e indissociáveis que obrigam a humanidade a repensar e a redefinir, seriamente, as formas actuais de medir a riqueza e o crescimento económico, as tecnologias actuais, a redistribuição da riqueza mundial.
O aumento da consciência à volta das questões ambientais constituiu, nos anos 70, um motor para o empreendimento de novas políticas ambientalistas, destinadas a diminuir os problemas surgidos com a finalidade de manutenção do modelo de desenvolvimento económico vigente. Todavia, estas constituíram medidas conjunturais que ocultam a verdadeira origem do problema ambiental mundial e reforçam o lucro de uma minoria. As mesmas deslocam os problemas ambientais para os países do Sul que, submetidos ao poder dominante do Norte, se vêm forçados a acolher as suas indústrias poluentes; a explorar os seus territórios, suplantando os meios existentes para a subsistência da população local, o que aumenta a pobreza e produz danos ecológicos irreversíveis e a endividarem-se até limites impossíveis.
A juntar a estas posições, e após um período de inúmeras tentativas, surgem novas propostas políticas que estabelecem novos parâmetros de análise e actuação. Por volta de finais do século XX nasce uma nova política ecológica que reclama a consideração da indissociável relação entre natureza e sociedade, preconiza um modelo de desenvolvimento que permita uma participação equitativa de todos os países, defende o desenvolvimento de uma tecnologia diferente, argumenta por um modelo de vida que não pode basear-se apenas num modelo de crescimento indefinido e ilimitado.
É um facto que a humanidade passou do pensar e agir localmente, para actuar localmente, pensando globalmente e, finalmente, pensar localmente, agindo globalmente.

TABELA CRONOLÓGICA DE REUNIÕES INTERNACIONAISQUE MARCARAM A ADOPÇÃO DE POLÍTICAS NO ÂMBITO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL

1968) Nasce o Conselho para Educação Ambiental, no Reino Unido. Neste mesmo ano, surge o Clube de Roma que, em 1972, produz o relatório "Os Limites do Crescimento Económico" que, por sua vez, estudou acções para se obter, no mundo, um equilíbrio global como a redução do consumo tendo em vista determinadas prioridades sociais.
1972) Conferência de Estocolmo sobre Ambiente Humano promovida pela ONU. Os principais resultados formais do encontro constituíram a Declaração sobre o Ambiente Humano ou Declaração de Estocolmo que expressa a convicção de que "tanto as gerações presentes como as futuras, tenham reconhecidas, como direito fundamental, a vida num ambiente sadio e não degradado "(Tamanes - 1977).Aspectos relevantes desta conferência:
- Confronto entre os países desenvolvidos preocupados com a poluição industrial, a escassez dos recursos energéticos, etc... e os países não desenvolvidos preocupados com a pobreza;
- Adopção do lema "uma Terra só";
- Proposto o conceito de Ecodesenvolvimento (definido por Maurice Strong - primeiro director executivo do PNUMA);
- Ainda como resultado da Conferência de Estocolmo, neste mesmo ano, a ONU criou um organismo denominado Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente - PNUMA, sediado em Nairobi.
1975) Em respados:
- Declaração do Rio de Janeiro sobre o Ambiente e o Desenvolvimento
- Convenção sobre as alterações climáticas
- Declaração de princípios sobre florestas
- Convenção sobre Diversidade Biológica
- Agenda 21A
Carta da Terra, promovida pela Comissão Mundial para o Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas, foi um dos assuntos não concluídos na Conferência do Rio, que, com a criação de uma comissão para o efeito, viria mais tarde a ser publicada.
1997) Conferência Internacional sobre Ambiente e Sociedade: "Educação e Consciência Pública para a Sustentabilidade" em Thessaloniki (Grécia), de onde resulta a Declaração de Thessaloniki. Neste encontro foi reconhecido que, passados cinco anos da Conferência Rio, o progresso da E.A. foi insuficiente. Entretanto esse encontro foi beneficiado pelos numerosos encontros internacionais que lhe antecederam: na Índia, Tailândia, México, Cuba, Brasil, Grécia entre outros. O Brasil apresentou o documento "Declaração de Brasília para a Educação Ambiental", consolidado após a I conferência Nacional de Educação Ambiental. Reconhece que a visão de educação e consciência pública foi enriquecida e reforçada pelas conferências internacionais e que os planos de acção dessas conferências devem ser implementados pelos governos nacionais, sociedade civil (incluindo ONGs, empresas e a comunidade educativa), a ONU e outras organizações internacionais.
2000) Reunião Internacional de especialistas em Educação Ambiental, em Santiago de Compostela. Esta reunião foi promovida pela UNESCO e Xunta de Galicia, da qual resultou um documento propondo novas acções, que levassem a enfrentar, com êxito, os desafios ambientais do novo milénio.
2002) Conferência de Joanesburgo. Cimeira Mundial para o Desenvolvimento Sustentável da qual resultaram dois documentos: uma declaração Política e um Plano de Acção.

Processos de participação social como fenómeno cultural

A forma de apresentação das reivindicações, por parte das populações, perante as autoridades foi distinta nos diferentes momentos da história, estando directamente ligada à cultura e à época de cada povo. Segundo Heras (2002), ao longo do último século, com o desenvolvimento da planificação e dos serviços públicos, as formas tradicionais de intervenção foram desaparecendo, sendo substituídas por outros mecanismos. Encontramo-nos, portanto, perante o repto de procurar novas formas de participação, face situações e meios que são, quase sempre, mais complexos. Neste sentido é necessário, por um lado, repensar novas formas de utilização dos canais de participação tradicionais perante novas situações; por outro lado, é necessário reinventar a participação utilizando novos métodos e vias, aproveitando novos instrumentos de comunicação eficazes , adaptando os procedimentos básicos aos novos problemas sociais, culturais e ambientais.
Promover processos participativos baseados em conhecimento de causa e sentido de responsabilidade pode ser uma excelente oportunidade para gerar ou reforçar, nos grupos sociais, mecanismos de defesa do ambiente e que ajudem na implementações de acções no âmbito do desenvolvimento sustentável.
"Partilhando objectivos, experiências e responsabilidades, as pessoas e organizações estabelecem ligações que perduram para além de um projecto concreto e que podem dar lugar a redes úteis para investir em novas iniciativas pro-ambientais. A participação favorece a construção de uma comunidade viva, integradora, comunicativa respeitadora e responsável, com capacidade de dar forma ao seu futuro." (Heras, 2002: 14) fomentando, desta forma, a integração social. No entanto, como refere Ander-Egg (1996: 23), necessitamos de uma aprendizagem sobre participação, uma vez que não existe o cromossoma da participação. Com isto pretende dizer-se que, como seres sociais e sociáveis, não implica, necessariamente, que a nossa socialização nos conduza à participação social.
Dando resposta ao preconizado no capítulo 23 da Agenda21 que apela ao "fortalecimento do papel dos grupos principais", a tendência mais recente em toda a Europa prevê a passagem gradual de processos tradicionais de participação de "cima para baixo" por uma abordagem baseado no conceito de democracia participativa. Estas novas metodologias contribuem para uma integração efectiva dos interesses e valores sócio-culturais das comunidades, identificando preocupações e respondendo às aspirações das populações envolvidas.
A identificação dos problemas e das propostas de soluções, geradas em contextos de uma ampla participação, favorecem melhores processos de decisão, que beneficiam frequentemente de propostas inovadoras desenvolvidas em colaboração. Para tal, "é necessário que as pessoas, os grupos e as organizações participem nos procedimentos de avaliação do impacte ambiental, conheçam o mecanismo de adopção de decisões e participem nele, sobretudo quando exista a possibilidade de que essas decisões afectem as comunidades onde vivem e trabalham." (ponto 23.2. do capítulo 23 da Agenda21)

 

 

__________________________________________________

| Home | Apresentação | Localização | Contactos |